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REVIEW | LANTERNAS (2026) – A SÉRIE que APOSTA no ‘True Detective’, mas TROPEÇA no ROTEIRO

Lanternas | Review - Capa

Aviso: Este review de Lanternas analisa a nova aposta da DC Studios e da HBO para o DCU, sem spoilers pesados. A série prometeu ser uma espécie de True Detective dos Lanternas Verdes e, nesse ponto, cumpre o combinado. O resultado é um drama interessante e maduro, mas que se afasta bastante dos quadrinhos e deixa algumas pontas soltas pelo caminho. Nossa nota é 7,5.


Lanternas: do que se trata a série da DC na HBO Max

A série estreou em 16 de agosto de 2026, no HBO Max. A 1ª temporada tem 8 episódios e é comandada por Damon Lindelof, Chris Mundy e Tom King.

A trama acompanha um jovem John Stewart (Aaron Pierre) e um veterano Hal Jordan (Kyle Chandler) envolvidos em um mistério obscuro e terrestre, investigando um local chamado Rushville no interior de Nebraska. O elenco ainda reúne Kelly Macdonald, Garret Dillahunt e Ulrich Thomsen como Sinestro. Nathan Fillion volta como Guy Gardner, papel que já havia interpretado no cinema em Superman.

O público respondeu bem: a HBO informou que a estreia somou 9,3 milhões de visualizações em 3 dias, a maior estreia de uma série da DC Studios na plataforma.


Um “True Detective” da DC: A promessa foi cumprida?

Sim. O maior mérito de Lanternas é assumir sem medo a própria identidade. Esqueça o ritmo de série de super-herói tradicional: aqui o foco é o clima investigativo, o mistério e a tensão. A direção aposta em atmosfera, silêncios e diálogos longos, o que combina com o selo HBO.

Para quem esperava uma explosão de cores e batalhas espaciais, esse tom pode surpreender. Para quem gosta de dramas policiais densos, é um prato cheio. A série funciona como drama, e funciona bem, especialmente nos momentos em que deixa a investigação respirar.

Hal Jordan e John Stewart: Ambos são o coração da série

Kyle Chandler entrega um Hal Jordan experiente e cansado, com carisma e peso dramático. Aaron Pierre constrói um John Stewart sério, observador e firme. O contraste entre o veterano e o novato sustenta boa parte do interesse da série e rende as melhores cenas da temporada.

É a relação entre os dois que segura o espectador mesmo quando o roteiro oscila. O elenco de apoio também ajuda a dar corpo ao mistério central.

A construção de John Stewart: destaque que soou forçado

John Stewart já tem uma bagagem forte e marcante nas HQs e Animações. Ele não precisava que as regras do universo fossem alteradas para provar que merece estar ali. Quando a história mexe no que já funcionava, o personagem perde força em vez de ganhar.

A série tenta dar ainda mais protagonismo a John Stewart, incluindo um juramento próprio no final para o personagem. A intenção é reafirmar o valor dele dentro da Tropa, mas o efeito é o contrário: soa um pouco forçado, causando um efeito de que entendeu-se que ele tornou-se um ‘Lanterna Rebelde”


Tom sombrio vs Ficção Científica Clássica

A escolha do tom investigativo, na vibe de True Detective, é coerente com a proposta e também a maior fonte de debate. Os Lanternas Verdes são, na essência, uma polícia intergaláctica, e o universo pede escala, exploração espacial e ficção científica clássica, mais próxima do espírito de Star Trek.

Ao apostar em uma pegada mais sombria e terrena, a série se distancia dessa essência. Isso não faz dela uma obra ruim, mas deixa a sensação de que um dos maiores trunfos do material original ficou de fora. Quem esperava ver o lore das HQs de Lanterna Verde adaptado com precisão vai sentir essa distância.

Guy Gardner e a incoerência do personagem

Nathan Fillion é um dos pontos altos de qualquer produção do DCU em que aparece, e o carisma dele continua ali. O problema está na escrita. Em alguns momentos, o comportamento e os níveis de poder de figuras emblemáticas como Guy Gardner parecem desalinhados com suas personalidades históricas.

Essas incoerências incomodam principalmente os fãs mais antigos, que conhecem bem o tom, a arrogância e a força de cada Lanterna. Para o público geral o impacto é menor, mas a quebra de consistência existe e pesa na avaliação final.

Furos de roteiro e o “Hal’ograma”

O roteiro apresenta furos perceptíveis, e alguns deles ficam evidentes justamente nas soluções narrativas ligadas ao chamado “Hal’ograma” de Hal Jordan. São pontas soltas que o espectador atento nota e que atrapalham a imersão em uma série que, por ser investigativa, depende muito de lógica e coerência.

Em um mistério, cada peça precisa se encaixar. Quando elementos importantes ficam sem explicação satisfatória, a tensão construída ao longo dos episódios perde força. É o principal motivo de a nota não ser mais alta.

Lanternas e o desafio de adaptar os quadrinhos

Mais do que uma série isolada, Lanternas levanta uma reflexão importante sobre como adaptar grandes universos dos quadrinhos para o audiovisual. Até onde vale ousar? Quando a liberdade criativa ajuda a história e quando afasta o público da obra original?

A série tenta construir uma narrativa mais madura e inteligente, e consegue em parte. O resultado, porém, divide opiniões, e é justamente essa divisão que torna a obra interessante de discutir.

Pontos positivos e negativos

Pontos positivos

  • Cumpre a promessa de um “True Detective da DC”, com atmosfera e mistério
  • Química e atuações de Kyle Chandler e Aaron Pierre
  • Narrativa madura e fora do padrão dos heróis convencionais
  • Boa participação de Nathan Fillion

Pontos negativos

  • Furos de roteiro, inclusive nas soluções ligadas ao “Hal’ograma”
  • Juramento de John Stewart é uma forma dele ser um Lanterna renegado
  • Tom sombrio extremo afasta a série da ficção científica clássica dos Lanternas
  • Incoerências na personalidade dos personagens

Confira a prévia do Episódio Final de ‘LANTERNAS’ a série da DC Studios para o HBO Max


Vale a pena assistir Lanternas?

Vale, principalmente se você curte dramas investigativos e está aberto a uma versão diferente dos Lanternas Verdes. Quem espera fidelidade total aos quadrinhos ou uma aventura espacial de grande escala pode se frustrar. Já quem busca uma série madura, bem atuada e com identidade própria vai encontrar um bom programa para acompanhar semana a semana.

Lanternas é uma obra que tenta ousar e trazer algo diferente para o DCU, e isso merece reconhecimento. Mas peca ao se afastar do lore original e ao deixar o roteiro com pontas soltas. É uma série interessante, com ótimos momentos e potencial de sobra, que ainda precisa acertar a mão para chegar ao nível que a mitologia dos Lanternas merece.

⭐ Nota Final: 7,5/10


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